Receber o diagnóstico de menopausa precoce costuma gerar muitas dúvidas e emoções.
Além dos sintomas físicos, é comum surgirem sentimentos de insegurança, tristeza, medo e preocupação com a saúde futura.
A boa notícia é que, com acompanhamento adequado, a maioria das mulheres pode controlar os sintomas, proteger a saúde óssea e cardiovascular e manter uma excelente qualidade de vida.
Este guia foi elaborado para responder às principais dúvidas sobre o tema de forma clara, baseada em evidências científicas e acolhedora.
O que é menopausa precoce?
Chamamos de menopausa precoce quando a perda definitiva da função dos ovários acontece antes dos 40 anos de idade.
Ela é diferente da menopausa “habitual”, que ocorre, em média, por volta dos 50 anos.
Quais são as causas?
Em muitos casos, a causa não é identificada.
Entre as possíveis causas estão:
- predisposição genética;
- doenças autoimunes;
- alterações cromossômicas;
- cirurgias ovarianas;
- quimioterapia e radioterapia;
- alguns tratamentos médicos.
Quais sintomas podem aparecer?
Os sintomas costumam ser semelhantes aos da menopausa natural:
- ondas de calor;
- suor noturno;
- alterações do sono;
- ressecamento vaginal;
- dor na relação sexual;
- redução da libido;
- alterações de humor;
- dificuldade de concentração;
- fadiga.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico leva em consideração:
- idade;
- história menstrual;
- sintomas;
- avaliação clínica;
- exames hormonais quando indicados.
Cada caso deve ser analisado individualmente.
Menopausa precoce significa que nunca mais poderei engravidar?
Depende da causa.
Em algumas situações a função ovariana pode apresentar atividade intermitente.
Por isso, cada mulher deve receber orientação individualizada sobre fertilidade e planejamento reprodutivo.
Quais são os riscos para a saúde?
Quando ocorre antes da idade esperada, a redução prolongada dos hormônios pode aumentar o risco de:
- osteoporose;
- doenças cardiovasculares;
- alterações metabólicas;
- sintomas urogenitais persistentes.
Por esse motivo, o acompanhamento médico é especialmente importante.
Toda mulher precisa fazer reposição hormonal?
Nem sempre.
Entretanto, para mulheres com menopausa precoce que não apresentam contraindicações, a terapia hormonal costuma ser recomendada até aproximadamente a idade habitual da menopausa.
O objetivo não é apenas aliviar sintomas, mas também proteger a saúde óssea, cardiovascular e a qualidade de vida.
Quando os hormônios não podem ser utilizados, existem alternativas não hormonais que também podem fazer parte do tratamento.
E quando a menopausa acontece após o tratamento de um câncer?
Alguns tratamentos oncológicos podem levar à interrupção da função dos ovários.
Nessas situações, o acompanhamento deve ser individualizado e realizado em conjunto com a equipe responsável pelo tratamento do câncer.
Dependendo do tipo de tumor e das características de cada paciente, a terapia hormonal pode não ser indicada. Ainda assim, existem estratégias eficazes para controlar sintomas e preservar a qualidade de vida.
O que posso fazer para cuidar da minha saúde?
Além do tratamento indicado pelo seu médico:
- manter atividade física regular;
- consumir cálcio e vitamina D quando necessário;
- não fumar;
- controlar fatores de risco cardiovasculares;
- cuidar do sono;
- manter alimentação equilibrada;
- realizar os exames preventivos recomendados.
Mensagem final
Receber o diagnóstico de menopausa precoce pode parecer assustador no início.
Mas ele não define quem você é nem limita os seus projetos.
Com informação de qualidade, acompanhamento especializado e um plano de tratamento individualizado, é possível atravessar essa fase com saúde, segurança e qualidade de vida.
Você não precisa enfrentar essa jornada sozinha.
Dra. Camila Rios Bretas
Ginecologista | Menopausa e Climatério
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